Um amistoso que virou capítulo eterno da história gremista
O dia 27 de fevereiro de 1975 entrou definitivamente para a memória do torcedor tricolor. Em uma noite abafada de verão, no antigo Estádio Olímpico — ainda antes de se tornar o Olímpico Monumental — o Grêmio protagonizou uma das maiores atuações internacionais de sua história, ao vencer o Huracán, da Argentina, por 7 a 2.
Não era qualquer adversário. O Huracán vivia um de seus melhores momentos, reunindo jogadores que estavam entre os principais nomes do futebol argentino da época, muitos deles com passagens ou influência direta no futebol sul-americano por décadas.
O que se viu naquela noite foi mais do que uma goleada: foi uma afirmação internacional do Grêmio, ainda no início da temporada.
O contexto: início de temporada e um teste de peso
A partida marcava apenas o 10º jogo do Grêmio em 1975, período em que o clube começava a moldar um elenco competitivo sob o comando de Ênio Andrade. Do outro lado, um Huracán recheado de talento:
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Agustin Mario Cejas, goleiro titular da seleção argentina e que, no ano seguinte, defenderia o próprio Grêmio
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Miguel Ángel Brindisi, cérebro do meio-campo
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René Houseman, ponta habilidoso e campeão mundial em 1978
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Jorge Carrascosa, lateral-esquerdo de alto nível
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Miguel Ángel Russo, volante técnico e líder em campo
Era um duelo que, no papel, prometia equilíbrio. Em campo, virou espetáculo tricolor.
Primeiro tempo alucinante: seis gols e domínio absoluto
Desde o apito inicial, o Grêmio assumiu o controle da partida, empurrado pela torcida e pelo ritmo intenso imposto no calor de fevereiro em Porto Alegre.
O que aconteceu entre os 18 e 22 minutos do primeiro tempo entrou para o folclore do futebol:
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18’ – Neca abre o placar para o Grêmio
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19’ – Brindisi empata para o Huracán
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20’ – Iúra recoloca o Tricolor na frente
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22’ – Zequinha amplia
Em apenas quatro minutos, o jogo saiu do zero para um 3 a 1 eletrizante. O Huracán sentiu o golpe, e o Grêmio não perdoou:
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36’ – Neca, novamente, faz o quarto
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44’ – Loivo fecha o primeiro tempo em 5 a 1
Era uma atuação avassaladora, técnica e emocionalmente dominante.
Segundo tempo confirma o show e sela a goleada histórica
Mesmo com a larga vantagem, o Grêmio manteve a intensidade na etapa final.
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12’ – Tarciso marca o sexto gol gremista
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19’ – Houseman desconta para os argentinos
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25’ – Neca, em noite inspirada, fecha o placar em 7 a 2
O apito final consagrou uma das maiores vitórias internacionais do Grêmio no Olímpico, diante de um dos times mais respeitados da Argentina naquele período.
As escalações que fizeram história
Grêmio (4-3-3) – Técnico: Ênio Andrade
Picasso, Vilson, Ancheta, Beto Bacamarte, Jorge Tabajara; Cacau, Neca, Iúra; Zequinha, Tarciso, Loivo.
Entraram: Cláudio Radar, João Carlos e Nenê.
Huracán (4-3-3) – Técnico: Antonio Mario Imbelloni
Cejas; Sánchez, Paolino, Herrera, Carrascosa; Russo, Brindisi, Pérez; Houseman, Pico, Gramajo.
Entraram: Ríos, Longo e Sanabria.
Mais que um amistoso: um recado ao continente
A goleada sobre o Huracán não foi apenas um resultado expressivo. Ela simbolizou:
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A maturação de um elenco competitivo
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A capacidade do Grêmio de enfrentar e dominar potências sul-americanas
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O início de uma mentalidade internacional que se consolidaria nos anos seguintes
Partidas como essa ajudaram a construir a identidade do Grêmio copero, respeitado fora do Brasil e temido dentro de casa.
Por que esse jogo ainda importa hoje?
Relembrar confrontos como Grêmio 7 x 2 Huracán é fundamental para preservar a história, contextualizar conquistas futuras e reforçar a identidade de um clube que sempre teve vocação para grandes noites internacionais.
Não foi apenas uma vitória. Foi uma declaração de força, registrada para sempre na memória do futebol sul-americano.
🔵 Sobre o Acervo Grêmio Copero
Este conteúdo faz parte da restauração histórica do antigo site Grêmio Copero , preservando textos, registros e memórias do futebol tricolor que marcaram época na internet.
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