Agustín Mario Cejas, ex-goleiro do Grêmio e personagem da histórica “goleira rebaixada” do Olímpico
Alguns personagens passam pelos clubes sem títulos, mas deixam marcas eternas. Agustín Mario Cejas é um desses nomes na história do Grêmio. O goleiro argentino atuou pelo Tricolor em 1976 e protagonizou um dos episódios mais curiosos — e comentados — do futebol brasileiro: a descoberta da goleira rebaixada do Estádio Olímpico.
Mais do que esse fato folclórico, Cejas carregava uma trajetória continental respeitável, construída entre Argentina, Brasil e competições internacionais de alto nível.
A chegada ao Grêmio em um período delicado
Quando Cejas desembarcou em Porto Alegre, o Grêmio vivia um momento difícil. A década de 1970 foi marcada pelo domínio quase absoluto do Internacional no futebol gaúcho, e o Tricolor ainda buscava reconstrução e afirmação.
Mesmo em um contexto adverso, o goleiro argentino se destacou pela personalidade, experiência e leitura de jogo. Alto, técnico e seguro, trazia no currículo conquistas que poucos atletas da época possuíam.
O episódio que entrou para o folclore do Olímpico
Foi durante sua passagem pelo Grêmio que surgiu a história da “goleira rebaixada”. Com 1,93m de altura, Cejas estranhou a posição do travessão no Estádio Olímpico. Ao esticar o braço, percebeu que alcançava a trave com facilidade incomum.
A desconfiança levou à medição oficial — e à constatação histórica: a goleira tinha cerca de 22 centímetros a menos que a altura regulamentar de 2,44m.
O caso se espalhou rapidamente pelo futebol brasileiro e transformou-se em lenda.
Por que a goleira era mais baixa? As versões
Com o tempo, duas explicações ganharam força no imaginário popular:
A primeira diz que a altura teria sido ajustada para beneficiar Jair, goleiro mais baixo que atuava como titular antes de Cejas.
A segunda atribui o problema aos inúmeros “biquinhos” dos atacantes, que teriam empurrado lentamente as traves para baixo ao longo dos anos.
Nunca houve confirmação oficial definitiva. Mas o consenso é um só: foi Agustín Cejas quem revelou o problema, entrando definitivamente para a história do estádio.
Um currículo de campeão antes do Brasil
Antes de vestir a camisa gremista, Cejas já era um nome consagrado no futebol sul-americano. Revelado pelo Racing Club, foi campeão argentino em 1966 com o lendário time de Juan José Pizzutti, conhecido pela longa sequência invicta.
Em 1967, alcançou o auge ao conquistar:
-
e a Copa Intercontinental, superando o Celtic em Montevidéu.
Essas conquistas o colocaram entre os grandes goleiros do continente.
O Santos de Pelé e o auge técnico
O prestígio levou Cejas ao Santos, onde teve o privilégio de atuar ao lado de Pelé em uma das fases mais midiáticas do clube. No futebol brasileiro, disputou mais de 250 partidas e tornou-se ídolo da torcida santista.
Em 1973, viveu seu melhor ano no país: foi campeão paulista em uma edição histórica e recebeu a Bola de Ouro como melhor jogador do torneio, dividindo a honraria com o zagueiro gremista Ancheta.
Muito além das defesas: o construtor do Racing
Após encerrar a carreira, Cejas seguiu ligado ao futebol. No Racing, teve papel decisivo fora das quatro linhas, ajudando a estruturar o elenco que recolocou o clube na Primeira Divisão argentina em 1985.
Mesmo não sendo o treinador do acesso, é amplamente reconhecido como um dos arquitetos do time que deu início à reconstrução do clube nos anos seguintes.
Um nome eterno na memória gremista
No Grêmio, Agustín Mario Cejas não é lembrado por títulos, mas por ter participado de um dos capítulos mais curiosos e simbólicos da história do Olímpico. Seu nome segue vivo em rodas de conversa, livros, arquivos e na memória do torcedor que valoriza o passado.
Personagens assim ajudam a explicar por que o futebol é mais do que resultados: é feito de histórias.
🔵 Sobre o Acervo Grêmio Copero
Este conteúdo faz parte da restauração histórica do antigo site Grêmio Copero , preservando textos, registros e memórias do futebol tricolor que marcaram época na internet.
Hoje, o projeto segue vivo e ampliado através do Grêmio Copero Histórico , que é o sucessor oficial desta iniciativa e continua produzindo conteúdo atualizado, análises, história e cobertura completa do Grêmio.

0 Comentários